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24/05 – Sábado Cigano - 11 às 20h00

Consultas personalizadas de tarô, baralho cigano e oráculos ciganos  

 R$ 45,00  com a Equipe Alpha

Tarô do Amor, Baralho Cigano e Reiki, com a terapeuta Kely Monteiro

 

Baralho Cigano e Tarô dos Índios (Xamânico) com Ana Maria

 

Quiromancia, Runas, Dominomancia e Dadomancia

Com o terapeuta e oraculista Ricardo Macedo

 

Baralho Cigano, Tarô Místico e Tarô Cigano com  a terapeuta e taróloga  Maria Tereza (Cigana Maíra)

 

 

15:30 – RITUAL CIGANO EM HOMENAGEM À SANTA SARA KALI, com Chá Cigano  Nesta dia  você  será envolvido com a magia cigana. Rituais, encantamentos, magias  ciganas serão ensinadas e talismãs serão consagrados. O vinho cigano, pão cigano, mesa de frutas e as delícias do chá cigano serão servidos no ritual, regado com muita dança e música . Facilitadora: Fátyma de Moraes, Espiritual Coach. Taxa: 15,00

 

 

26/05 – Segunda-feira – 18Hs. ou 20Hs

AULA ABERTA DE DANÇA CIGANA

 PARA INICIANTES. Com a Profª Marah. Entrada Franca

 

 

 

 

SANTA SARA KALI A PADROEIRA DOS CIGANOS  

O dia de Santa Sara, padroeira dos ciganos, é comemorado em 24 de maio em todo Brasil e na Europa (especialmente na cidade de Saintes Maries de La Mer, no Sul da França). Nesta data, é realizada a grande festa em louvor a Santa Sara. Considerada padroeira do povo cigano, a história da santa remonta ao início do cristianismo. 

 Os primeiros cristãos eram perseguidos pelos romanos e Sara, uma escrava egípcia de propriedade de José de Arimatéia foi capturada juntamente com as três Marias (Maria Madalena, Maria Salomé e Maria Jacobé). As quatro mulheres foram colocadas em um barco que foi lançado ao oceano, sem remos e sem provisão. Por um milagre, após mais de 30 dias vagando sem rumo pelo mar, o barco aportou em Laguendoc, no Sul da França, na Ilha de Camargue, um local que seria conhecido mais tarde como Saintes Maries-de-La Mer (traduzindo Santas Marias que vieram do Mar).  

 Um grupo de ciganos que vivia por ali, socorreu as quatro mulheres e elas, em troca, levaram ao grupo os ensinamentos de Jesus, trazendo para eles a doutrina cristã.  Após a partida das chamadas "Três Marias", conta a história que Sara continuou convivendo com os ciganos e passou a ser chamada de Sara Kali, a palavra Kali significa "negra" na língua romanê.

 Nos dias atuais, a santa padroeira dos ciganos é comemorada com muitos rituais e tradições por mais de 15 milhões de ciganos espalhados em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia.

 


MAGIA CIGANA 

A integração dos ciganos com a natureza é permanente, obrigatória sob um ponto de vista imprescindível sob outro. Dizemos que é obrigatória, pois com sua vida andarilha, suas caravanas muitas vezes viajando sem rumo absolutamente determinado, sua ânsia constante de viver de modo livre e aventureiro, onde mais montar suas barracas, arranjar seus acampamentos, arrumar suas bagagens pelo menos durante um certo período de tempo, senão a céu aberto, “dentro” da natureza, tudo muito próximo a rios, cachoeiras ou outros remansos de água – doce , de que eles necessitam para cozinhar, lavar as roupas, se banharem? Por esses fatos e pelos conseqüentes de uma maneira de viver nômade, é bastante fácil compreender a obrigatoriedade do convívio entre os ciganos e a natureza.

A natureza é a generosa doadora da própria sobrevivência cigana. Nela o povo cigano busca os mais variados tipos de alimentos e água, líquido precioso de sustentação da vida. É verdade, que quando passam pelas cidades, compram gêneros alimentícios, tecidos, ferramentas e outros bens necessários, mas a natureza que referenciam o principal apoio de vida. Todavia, o povo cigano não entende a natureza somente como a doadora dos elementos fundamentais como alimentos e água, mas como fonte inesgotável de energia. Aí começa o lado mágico da natureza cigana por assim dizer, o fundamento etéreo da vida, o lado abstrato muitas vezes não compreendido racionalmente pelos próprios ciganos.

Eles entendem em vários aspectos, que a natureza é que fornece a vitalidade, o frescor da vida renovada a cada dia do ponto de vista da troca energética. Do céu, dos astros do firmamento, do Sol, da Lua em suas diferentes fases, desce a energia positiva de Deus, a força divina mantém o homem em pé, apto ao trabalho, às caminhadas, a geração de filhos e a todos os tipos de alegrias, sensações, emoções e sentimentos. A terra, o solo onde pisam propositalmente sem sapatos é a Mãe-Terra, que recebe sem recusas e sempre aberta a todas as energias negativas, os temores, as angústias de um povo tantas vezes perseguido, as tristezas e os desconsolos que maltratam a alma e o coração. A terra abençoada, que recebe sem reclamos os despojos daqueles que dormem nos braços da morte, transformando-os em formas de vida.

Os ciganos não são politeístas. Adoram e veneram um só Deus, mas tal como vários povos que viveram e vivem em estreito contato com a natureza, vêem as naturais manifestações desta como divindades. Assimilam dos astros do céu, abençoam e pedem bênçãos à chuva, as águas dos rios, das cascatas, riachos, cachoeiras, às árvores das matas, respeitando os trovões, a força devastadora dos raios e o fogo, que aquece, protege e purifica. 

Os ciganos admiram os pássaros, as flores, os animais, toda a forma de vida que brota da natureza, pois entendem que a todos são maneiras de Deus se revelar aos homens, sendo tratados portanto com carinho e respeito. Eles compreendem que o ar é energia vital, o elemento vivificante da vida e oram para que as ventanias, tufões e vendavais não destruam seus acampamentos e seus lares-tendas.

Existe idéia enganosa de que os ciganos temem as águas do mar, o que é uma perfeita bobagem. Eles singraram os mares nos tempos das colonizações, inclusive a brasileira, em caravelas e muitos deles viviam nestas embarcações como prisioneiros condenados colocando a força de seus braços nos remos, que moviam estes barcos (para um cigano a prisão é a pior coisa em sua vida que possa existir, preferem morrer do que ficar sem a liberdade que é o que mais prezam). 

A verdade é que as águas salgadas não tinham serventia para beber, cozinhar, lavar as roupas etc., então eles procuravam ficar sempre próximos a locais de água – doce . Segundo seu conceito mágico da natureza os ciganos reverenciam as águas do mar e as deidades que nelas habitam, pois muitos trabalhos de magia são feitos nas areias do mar, para os ciganos as águas salgadas têm a função de fazer a limpeza energética de todos os seres do planeta que nele habitam.

Os ciganos respeitam e reverenciam os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, cultuando os elementais ligados a estes elementos. Eles podem não chamar os elementais pelos nomes tão em voga atualmente (gnomos, duendes, fadas, sílfides, salamandras, ondinas, nereidas, sereias), mas admitem sua existência e importância. Sendo místicos do jeito que são, não deixariam de reconhecer nos elementos e nos elementais, uma força extraordinária, real e auxiliadora, tanto que nos seus trabalhos mágicos não deixam de pedir permissão a eles, para a manipulação das energias da natureza. 

O povo cigano também acredita em presságios e avisos provenientes da natureza e de seus elementos. Na verdade, eles são muito inteligentes a ponto de identificarem as mensagens oriundas das forças naturais e tomarem seus cuidados e prevenções, Eles são meteorologistas natos não necessitando de instrumentos ou outras sofisticações para saber quando vai chegar uma tempestade, uma nevasca, ou um sol de rachar. Sabem reconhecer quando há água por perto, ou a viagem prosseguirá em terreno árido e seco. Pressentem os perigos das selvas, das matas pelos movimentos dos animais, pela revoada dos pássaros e outros sons peculiares da natureza. 

É sábio o povo que sabe ouvir a natureza, convivendo com ela pacífica e respeitosamente, e nisto o povo cigano é mestre. O convívio harmonioso, que de certa forma podemos dizer que um cigano é mais uma das manifestações da Mãe Natureza ou Natureza travestida na forma humana, sinônimos, mãe e filho, ou ainda, uma expressão mais abrangente, uma autêntica família. Por isso a Vida Cigana é mágica

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O QUE É MAGIA 

Magia é a manipulação de energias, é o ato de evocar poderes e mistérios divinos e colocá-los em ação, beneficiando-nos ou aos nossos semelhantes. A  magia está no ato de colocarmos amor em tudo que fazemos, quando cozinhamos, falamos, costuramos, estudamos, trabalhamos etc...

O objetivo de toda magia é a perfeição do ser. Embora isto possa não ser obtido em uma vida, é perfeitamente possível que melhoremos a nós mesmos. Este ato singular já faz com que a Terra se torne muito mais saudável.

Se puser em prática qualquer magia , tenha em mente os mais elevados aspectos de seus trabalhos. Você está melhorando o mundo e ajudando a curá-lo das terríveis mazelas que sofreu por nossas mãos.

É isso que torna o praticante da magia verdadeiramente divino.

    

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Festival Cigano reúne centenas de pessoas no Espaçço Alpha 

Foi um sucesso a Sexta Cigana e o Festival Cigano do Esppaço Alpha Holístico, que aconteceram noúltimo dia 28. As Festas aconteceram por conta da Slava de Santa Sara Kali, padroeira dos Ciganos e que teve seu dia comemorado no último dia 24.  

Durante toda a sexta, foram feitas consultas com Baralho Cigano; Borra do Café e Quiromancia, como manda a tradição Gitana. Mas o ponto alto da festa foi o Festival, a partir das 20 horas, no Esppaço. Os presentes ao evento puderam acompanhar show de Música Cigana ao vivo "Tierra Gitana", com o músico Roon Markes, além de apresentação de dança gitana com Família Calon e a dança da Espada, com o Grupo Espírito Gitano. “Foram momentos inesquecíveis, cheios de magia e encanto que certamente agradaram todos os convidados”, explicou a agente cultural do Esppaço Alpha, Fátyma de Moraes.

Além disso, os convidados participaram de rituais e magias ciganas com profissionais do Esppaço Alpha e de um delicioso coquetel, com toda a culinária desse povo. “No próximo ano, teremos certamente a 2ª edição deste Festival, aqui no Esppaço. Mas já recebemos convites para promover outras festas como esta em outros locais”, comemora a agente cultural do Esppaço.

 

 

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Texto: Cigana Sttrada (do Clã Calon)

 

 

 

                  Os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send. No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalom (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia).

Mas essa é mais uma das hipotéses sobre a origem do Povo Cigano. Segundo a nossa Tradição os ciganos vieram do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lugar de origem. Nada mais podemos revelar sobre isto, pois trata-se de um dos nossos "segredos" mais bem preservados. Fiquem portanto com a imaginação !

                  O grande lema do Povo Cigano é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. Levam uma vida muito simples: consertando panelas, vendendo cavalos, fazendo artesanato (principalmente em cobre - o metal nobre desse povo), lendo as cartas do Tarot e a "buena dicha" (a boa sorte). Na verdade cigano que se preza, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos.

                A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.

 

 

 

 

Mitologicamente o Povo Cigano está ligado à Kalí - a deusa negra da mitologia hindu, associada a figura de Santa Sara, cujo mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano. Santa Sara é comemorada e reverenciada todos os anos, nos dias 24 e 25 de maio, através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".

 

                      O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô e é quem preside a Kris Romaris (Conselho de Sentença ou grande tribunal com suas próprias leis e códigos de justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos). O mestre de cura (ou xamã) é um Kaku (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os Ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação. Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.

 

                Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o Cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os Ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética; honra e justiça; senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema. Mas, a comunidade cigana ama e respeita a natureza, os idosos e todos os membros do grupo educam as crianças de todos, dentro dos princípios e normas próprios de uma tradição puramente oral, cujos ensinamentos são passados de pai prá filho ou de mestre para discípulo, através das estórias contadas e das músicas tocadas em torno das fogueiras acesas e das barracas coloridas sempre montadas ao ar livre (mesmo no fundo do quintal das ricas mansões dos ciganos mais abastados), como em Taquaral, perto de Campinas - São Paulo.

CIGANOS NÃO ROUBAM CRIANCINHAS

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                 As crianças normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o nome e fazer as quatro operações aritméticas. Claro que com o acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos (bem disfarçados) vão às universidades e ocupam cargos de importância na vida de um país. Alguns são médicos, engenheiros, advogados; alguns tornam-se ministros e outros até presidentes. Porém os de maior expressão na sociedade são artistas plásticos, comerciantes, joalheiros e músicos famosos. Tivemos dois Presidentes brasileiro de origem cigana: Washington Luiz e Jucelino Kubitshek

                 Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado" quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação. A celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações.Também para os ciganos tudo na vida é maktub (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do Céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

                  Na culinária cigana são indispensáveis: o cravo, a canela, o louro, o manjericão, o gengibre, os frutos do mar, as frutas cítricas e as frutas secas, o vinho, o mel, as maçãs, as pêras, os damascos, as ameixas e as uvas que fazem parte inclusive dos segredos de uma cozinha deveras afrodisíaca. O punhal, o violino, o pandeiro, o leque, o xale, as medalhas e as fitas coloridas; o coral, o âmbar, o ônix, o abalone, a concha marinha (vieira), o hipocampo (cavalo-marinho), a coruja (mocho), o cavalo, o cachorro e o lobo são símbolos sagrados para o Povo Cigano. A verbena, a salvia, o ópio, o sândalo e algumas resinas extraídas das cascas das árvores sagradas, são ingredientes indispensáveis na manufatura caseira de incensos, velas e sais de banho, mesclados com essências de aromas inebriantes e simplesmente usados nas abluções do dia-a-dia, nos contatos sociais e comerciais, nos encontros amorosos e principalmente nos ritos iniciáticos, de uma forma sensível e absolutamente mágica, conferindo grandes poderes.

 

               O grande símbolo geométrico do Povo Cigano é o Círculo Raiado (representando a roda da carroça que gira pelas estradas da vida) provando a não linearidade do tempo e do espaço; e o Pentagrama (estrela de 5 pontas) simbolizando o Homem Integral (de braços e pernas abetos) interagindo em perfeita harmonia com a plenitude da existência. O maior axioma do Povo Cigano diz simplesmente: "A sabedoria é como uma flor, de onde a abelha faz o mel e a aranha faz o veneno, cada uma de acordo com a sua própria natureza".

Para não enveredarmos num velho, carcomido e obsoleto discurso sociológico-político, e para não desgastarmos mais ainda a nossa salubridade cerebral, afirmamos que tudo o que acontece no Planeta, em termos de crise e transformação, afeta de perto o Povo Cigano (tão engajado com a natureza) e faz parte do cotidiano dessa minoria social que apesar do seu pouco grau de autonomia, tenta à duras penas preservar sua valiosa identidade e salvaguardar as peculiaridades de seus próprios conceitos de cidadania, em que pese os avanços tecnológicos, científicos e culturais; as mudanças de paradigmas e o glamouroso processo de globalização.

               O Povo Cigano é também uma raça sofrida, discriminada, excluída do contexto sócio-político-econômico (mas nem por isso alienada). Essa raça perseguida por muitas "inquisições", levada aos campos de concentração e aos fornos crematórios da Alemanha Nazista (tanto quanto o povo judeu) continua existindo apesar de todas as expoliações e distorções. Desprovida de meios adequados de sobrevivência, descaracterizada pela modernidade de um falso intelectualismo proletário/urbano essa raça também está à caminho da própria extinção, mas estamos aqui exatamente para resgatar o que restam de sua memória cultural e artística, usos e costumes, simbolismo e tradição.

 

            Para mim, cigana Kalom, descendente desse povo, essa é uma hora em que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de "chamado mítico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e nos unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo, deixando para os espertos, que se dizem "donos da terra", o alto preço de seus desmandos, desvarios e abuso de poder, nos concentrando, onde quer que estejamos no verdadeiro sentido da valorização humana que perpassa por insondáveis mistérios divinos e praticando com honestidade de propósito os exercícios de espiritualidade e religiosidade que subjaz em cada um de nós, na busca de uma solução para um mundo melhor, sem esquecermos as práticas ecológicas para salvaguardar essa "nau de insensatos" chamada Terra, de seu próprio desastre (palavra que significa: desarmonia entre os astros).

 

         Eu aprendi com meu Patriarca que os ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltamos quando morremos ou quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios vimos cumprindo nossa missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe Natureza, trocando e repassando conhecimento. No mais, deixaremos à critério da consciência de cada um o "por que" das abomináveis catástrofes (em sua maioria provocadas pela absoluta falta de respeito e conhecimento sobre a biodiversidade do planeta); e de comportamentos sociais e governamentais tão incongruentes com a própria inteligência humana, reduzindo a sensibilidade dos homens a um mero exercício da bio-pirataria para não perder o monopólio de um recurso genético, disfarçado na necessidade técnica e científica da bioprospecção (que é a procura de moléculas úteis à medicina), mesmo que no contexto histórico essa atitude implique na extinção de toda a raça humana.

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           Deixaremos à critério de qualquer "gadjo" que se preze, o "complexo de culpa ancestral" pela destruição do solo, do ar, da água e das florestas, pois em vez de "progredir com a plena cooperação científica e tecnológica" (como diria o biólogo americano Tomas Lovejoy - especialista em florestas tropicais) o homem moderno destroi seu próprio habitat, em vez de seguir a coerência do argumento socioantropológico que diz que "na sociedade de massas, o raciocínio individual precisa ganhar tons mais coletivos para exercer seu poder e provar sua competência, pressupondo uma melhor qualidade de vida e uma maior tranqüilidade planetária".

Sem precisarmos percorrer outra vez o raciocínio utópico do socialismo científico de Marx-Engels-Lênin-Stálin, necessitamos urgentemente pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem um pouco caracterizada pelas mais elementares virtudes.

              Como não sou também nem um pouco virtuosa e acho que o limiar entre o sagrado e o profano é muito próximo, coloco em mim mesma a carapuça de parte dessa imensa culpa pela minha própria acomodação e omissão em alguns setores da vida, e, divido com todos os devedores planetários como eu, o ônus que pago por viver na Terra nos dias de hoje, embora continue achando que é um privilégio karmico poder ser descendente do Povo Cigano.

Cigana Sttrada

(H.R. - Astróloga - Numeróloga - Taróloga da Tradição)

São Paulo - Janeiro/1998

OBS.: Essa Palestra foi apresentada na íntegra na 7ª edição do "Encontro para a Nova Consciência", em Fevereiro de 1998, em Campina Grande-PB.

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 Recomenda-se acender uma vela azul   

ORAÇÃO À SANTA SARA KALI

           Sara, Sara, Sara foste escrava de José de Arimatéia, no mar foste abandonada, te peço (fazer o pedido). Teus milagres no mar sucederam e como santa te tornastes, a beira do mar chegastes e os ciganos te acolheram. Sara, Rainha, Mãe dos Ciganos que te consagram como tua protetora e mãe vinda das águas. Sara, mãe dos aflitos, a ti imploro proteção para meu corpo, luz para que meus olhos enxerguem no escuro, luz para meu espírito e amor para todos meus irmãos. 

         Aos pés da Mãe Santíssima, tu, Sara, me colocarás e a todos que me cercam para que possamos vencer as provações terrenas. Sara, Sara, Sara não sentireis dores nem tremores. Espíritos perdidos não me encontrarão e assim com conseguistes o milagre do mar, a todos que me desejarem mal, tu, com as águas me fará vencer (quando a pessoa não estiver bem e querendo resolver algo muito importante, beber três goles d´água). 

         Amai-nos Sara, para que eu possa ajudar a todos que me procurem. Ajudados pelos teus poderes serei alegre e compreensivo com todos que me cercam. Corre no céu, corre na terra, corre no mundo e Sara, Sara, Sara estará sempre a minha frente, sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito. 

        E assim, dizemos que somos protegidos por Sara que nos ensinará a caminhar e perdoar. (Reze três ave-marias, sendo a primeira para Santa Sara, a segunda para os ciganos e a terceira para você).
 


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