ORIGEM
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Nahid Mofarrej,Ana
Claudia e Camila Ramos
Professoras Alpha de Dança do Ventre. |
Racks el Chark,
que significa Dança do Leste, local onde o sol nasce. É o
oposto de tudo, desconhecido, pouco claro, em decorrência
da noite, da escuridão. O Sol também é o alimento e a
fonte de energia para tudo e todos.
O nome
“Dança do Ventre” foi dado pelos Franceses para aquela
dança na qual “a bailarina mexia o estômago e o quadril de
forma voluptuosa, ao som de ritmos orientais”.
A Dança é uma das mais belas e antigas
artes, pois através dela, o homem passa a perceber o seu
corpo de maneira instintiva.
Há mais
ou menos 12.000 anos, antes, inclusive, do antigo Egito,
numa época remota, já existiam danças ritualistas feitas
para algumas finalidades.
Havia,
por exemplo, a dança da fecundidade, em que as mulheres ao
redor das fogueiras –símbolo de luz e alimento para os
primitivos -, balançavam o quadril, pulsavam o ventre e
contorciam-se como serpentes, em louvor à Deusa-mãe.
Existiam, também, danças com sacrifícios para oferendas,
rituais culturais, funerais etc; feitos por tribos
bárbaras e nômades, dos desertos.
No
Antigo Egito a Dança Ritualística tinha um caráter
Sagrado, intimamente ligado à história e aos costumes.
Viver no Vale do Rio Nilo equivalia estar destinado a uma
rotina e geografia extremamente simples. Para os egípcios,
tudo estava baseado e apoiado na hierarquia de seus Deuses
e suas crenças.
Assim
sendo, Sacerdotisas Egípcias costumavam usar movimentos
ondulatórios e batidas do ventre e do quadril para
reverenciar Deuses como Ísis, Osíris, Hathor. Além disso,
acredita-se que estes movimentos estavam associados à
fertilidade, sendo praticados em rituais e cultos em
Templos, homenageando a grande mãe pelo seu poder de dar e
manter a vida.
Com a
invasão dos árabes no Egito, e uma série de migrações em
um período conturbado de guerras, a Dança do Ventre passou
a ser conhecida por outros povos, que a adquiriram para a
sua cultura e modificaram-na de acordo com suas crenças e
desejos.
A
primeira modificação foi a perda do caráter religioso. Por
isso é tão difícil e complexo falar sobre esta dança que,
devido ao seu histórico, em cada país possui um sentido e
uma tendência.
A Dança
do Ventre tem seguido um processo evolutivo e tem sido
praticada em inúmeros tipos de cenários como, palácios,
mercados, praças e até em bordéis. A sua história
acompanha a da humanidade, e deste fato não se pode fugir.
Ela promove uma ligação direta entre o folclórico, o
improviso e a imaginação individual de cada bailarina; um
equilíbrio entre a regra e a liberdade de expressar seus
sentimentos e movimentos.
Apesar de toda imensidão que abrange, a Dança do Ventre é
conhecid a
e considerada representante do mundo árabe e está
intimamente ligada a sua música e seus ritmos de
percussão. Ao contrário do que muitos imaginam, em cada
ritmo árabe existe um componente primordial, que é a
improvisação.
Por
fim, vale ressaltar os nomes das grandes bailarinas árabes
em que, de inúmeras formas contribuíram para a história da
Racks el Chark: Tahia Carioca, Nadia Gamall, Sâmia Gamall,
Nagwa Fuad, entre outras.
No
Brasil, dentre inúmeros, contamos com dois nomes que, sem
dúvida, também contribuíram para a história da Dança do
Ventre: Shahrazade, a introdutora do Racks el Chark no
País, e Samira, uma das grandes inovadoras e pioneiras da
Dança.
Durante
a dança um tipo de exaltação (lí,li,li,li...) é muito
comum entre os povos das aldeias e daqueles que vivem nos
desertos, também chamados beduínos. É uma espécie de
aclamação à bailarina pela beleza de sua dança.
A
verdadeira dança do ventre não deve ser confundida com a
imagem publicitária que faz da bailarina um objeto sexual.
A sensualidade existe, sem dúvida, mas envolta num clima
de magia e misticismo sublimes.
É uma
dança milenar, portanto, tem um peso cultural que merece
ser respeitado.
Após
esta viagem histórico-cultural, sejam bem-vindos ao mágico
mundo da Racks el Chark.
Fontes:. Curso prático de Dança do Ventre – Fairuza e
Yasmin
BENEFÍCIOS
A dança
do ventre é uma técnica muito favorável às formas
femininas e as linhas arredondadas dos movimentos se
adaptam perfeitamente ao desenho natural de nosso corpo.
Baseada na consciência corporal e no isolamento de grupos
musculares específicos, bem executada a dança oferece
flexibilidade e tônus muscular de forma suave e duradoura.
A
delicadeza dos passos e deslocamentos retoma a graça
feminina do andar e o reconhecimento de quanto a mulher
pode ser suave e assertiva sem se desfazer de sua
natureza.
Aprendendo de novo a expressar nossas emoções através da
música e da dança, uma nova perspectiva se abre ampliando
as possibilidades de aplicação da dança da vida cotidiana.
Muitas
seqüências concentradas na região do baixo ventre,
movimentos gerados a partir do quadril que reverberam em
uníssono com o resto do corpo, nos deixam a sensação de
que a música e a dançarina são a mesma coisa e não se
movem em separado, mas em perfeita harmonia.
O ritmo
é sempre presente e muito importante na música árabe, o
corpo de forma geral estimulado pelos movimentos, tem
aquecida sua circulação e em conseqüência uma oxigenação
uniforme. Esta propriedade da dança do ventre favorece a
melhora de cólicas menstruais e pode aliviar a famigerada
tpm feminina.
Como
trabalhamos intensamente a região do baixo ventre,
gradativamente podemos obter relaxamento dessa área que
carrega muitas tensões.
Outra
região pólo de muita tensão e dores é a coluna, também
altamente solicitada durante a prática da dança. O tempo
todo estamos alongando e encurtando a musculatura
posterior e anterior que envolve o tronco e dessa forma
aumentando a elasticidade e aliviando o comprometimento
causado por má postura e falta de exercícios.
As pernas recebem alta dose de esforço, o que se traduz
depois de algum tempo em pernas bem torneadas e fortes.
Nem só de musculação e academia podemos esperar um corpo
condicionado. A dança pode oferecer isso e muito mais, de
forma sensível e personalizada já que seu desenvolvimento
caminha de acordo com seus limites, sempre respeitando a
velocidade de aprendizado que varia enormemente de pessoa
para pessoa.
Além de
todos os benefícios físicos, devemos ressaltar a
possibilidade de dançar apenas pelo prazer e obter,
através da prática, o contato com o nosso corpo e nossas
emoções de forma saudável e enriquecedora.
Por que
não também exercitar nossa sensualidade aliviando o stress
do dia a dia e amando um jeito diferente aquele que
escolhemos como nosso parceiro?
Enfim,
a dança do ventre é o máximo, criado pelas mulheres e para
as mulheres, lamentamos dizer que aqui o clube e da
Luluzinha: homem não entra.
Assim,
a
dança é capaz de auxiliar no desenvolvimento:
BIOLÓGICO
.Regulando os hormônios do aparelho reprodutor;
. Aliviando o desconforto gerado por cólicas;
. Promovendo a irrigação sangüínea no útero, oferecendo
maior fertilidade à mulher;
. Regulando os intestinos.
ESTÉTICO
. Definindo o corpo feminino, principalmente na região da
cintura, quadris e coxas;
.
Dando maior flexibilidade ao corpo em geral, em especial à
cintura pélvica e escapular;
.
Queimando até 300 calorias por aula de 1 hora (mantendo-se
um bom ritmo).
PSICOLÓGICO 
. Promovendo o autoconhecimento e o estímulo à autoestima;
INTELECTUAL
*
Desenvolvendo as inteligências:
. Corporal-cinestésica - a
capacidade de resolver situações com o corpo, transmitindo
uma idéia por meio de códigos corporais;
. Espacial - a capacidade de visualizar, criar e se
movimentar no espaço, ou seja, melhorando a coordenação
motora;
. Interpessoal e intrapessoal - o desenvolvimento do
emocional, estimulando a busca interior e o contato
social, vencendo as barreiras da timidez;
. Musical - com o aprendizado de ritmos e tempos musicais
e a adequação música-coreografia.
*
Segundo a teoria de inteligências múltiplas de Howard Gardner.
Alguns Cuidados
Qualquer mulher pode praticar a Dança Oriental. Por ser
uma atividade física leve, não impõe muitas restrições:
É necessário adaptar o movimento às condições físicas da
aluna. Independente da idade, alguns exercícios exigem uma
dose de contorcionismo que só as mais jovens, ou aquelas
com maior flexibilidade natural, conseguem executar. Cada
um deve respeitar o seu limite e adequar o exercício às
condições impostas pelo seu organismo.
. É desaconselhável para mulheres grávidas nos três
primeiros meses de gestação, pois estes são os mais
importantes para o desenvolvimento do feto e requer
diminuição de qualquer atividade corporal. Após esse
período, as gestantes são bem-vindas às aulas, apenas com
uma redução na intensidade dos movimentos ondulatórios,
pelo incômodo que poderá ocasionar o peso da barriga.
.
Todo
exercício físico deve ser orientado pelo professor e feito
sob prévio aquecimento. Executar os movimentos sem
supervisão pode ocasionar lesões e desgastes musculares
como torções, cãibras ou distensões.
. A
boa postura durante as aulas, ou na execução da dança,
evita problemas na região lombar. Como no ballet clássico,
o quadril deve estar encaixado e a coluna ereta. Joelhos
sempre levemente flexionados.
Fonte: Revista Khanelkhalili – nº 04
MODALIDADES
DA DANÇA DO VENTRE
As culturas orientais são muito ricas em danças e
tradições. Para aquelas que se interessam pela cultura do
Oriente como um todo, não apenas pela Dança do Ventre, as
danças folclóricas são ótimas fontes para pesquisa da
tradição milenar destes povos. Bailarinas que queiram
se tornar completas, não devem limitar-se à aprender o
básico da Dança do Ventre, e sim buscar novas formas de
dança que apenas enriquecerão sua linguagem corporal e
cultural. Julgo importante para as não diletantes conhecer
as tradições folclóricas e reconhecer as ligações entre
eles:
D
ANÇA COM VÉUS
O véu
está presente em várias passagens de textos que falam
sobre a dança dos povos do antigo Egito, por isso é
previsível que este seja muito usado pelas bailarinas na
atualidade. Quando se fala sobre a importância e o
significado do véu, devemos lembrar que os movimentos na
Dança do Ventre estão relacionados aos animais, às
plantas, aos símbolos da mitologia egípcia e aos quatro
elementos da natureza. Portanto, podemos relacionar o véu
com o elemento ar (com os ventos que sopram do deserto).
A dança
com véu pode variar de acordo com a intenção e
criatividade da bailarina: pode-se dançar com um único
véu, com dois ou até nove véus. Algumas bailarinas fazem
uso do véu aliado aos snujs, por exemplo, querendo assim
demonstrar sua habilidade com os acessórios da dança.
DANÇA DOS SETE VÉUS
Sua
origem é muito especulada: já foi associada à passagem
bíblica onde Salomé pede a cabeça de João Batista.
Atualmente, é muito comum ver a dança ser vinculada aos
sete chakras corporais, onde cada véu teria a cor de um
dos chakras, simbolizando sua transformação.
A
interpretação mais bela seria a de que esta tivesse
sido originada de uma antiga lenda babilônica que dizia
que a deusa Ishtar descia ao mundo subterrâneo e
permanecia lá por seis meses. A terra morria e nada
nascia. Mas quando seu marido Tammuz descia para vê-la,
nos outros seis meses do ano, a terra renascia e todos
celebravam. Ishtar, ao descer, passava por sete portais e
em cada um deles deixava um de seus atributos: saúde,
beleza, poder ..., até chegar nua e indefesa como todos os
mortais. Para cada portal atravessado pela deusa, a
bailarina se despe de um véu. Para cada um, executa-se um
movimento diferente, sugerindo um sentimento ou uma
expressão variada.
DANÇA COM CIMITARRA, mais conhecida como DANÇA DA ESPADA
Dança
com várias versões para sua origem. A primeira seria que
esta dança servia para homenagear a deusa Neit, mãe de Ra,
deusa da guerra, que destruía os inimigos e abria os
caminhos.
Uma
segunda versão conta que a dança com a cimitarra surgiu
das tabernas ou casas de prostituição. Os soldados, após
um dia de luta, iriam descansar nesses lugares e as
mulheres da casa pegavam suas espadas e dançavam, para sua
diversão. Na terceira versão, deriva do Arjã, dança
milenar que só era executada por homens, geralmente os
velhos das aldeias, e simbolizava a vitória sobre os
inimigos e a conquista de territórios. Com o passar do
tempo, as mulheres incorporaram a cimitarra, espécie de
espada com a ponta recurvada, às suas danças.
DANÇA COM PUNHAL
Versão da
dança com cimitarra. Quase nada se sabe sobre sua origem,
mas alguns acreditam que, para os egípcios, era uma
homenagem à Deusa Selkis, que simbolizava a morte e a
transformação. Numa segunda versão, essa dança era
realizada pela odalisca predileta dos Sultão. Para mostrar
seu poder às outras mulheres do Harém, ela tomava do
Sultão seu punhal e dançava diante de todos. Com isso,
ficava provado que ele tinha total confiança nela.
Não há
comprovação histórica da veracidade dos fatos acima
citados, sendo a segunda versão para a dança da Espada
provavelmente a mais próxima da realidade, já que o Arjã é
uma dança folclórica libanesa. A dança da espada, assim
como a dança do punhal, foi vista pela primeira vez ao ser
apresentada pela bailarina norte-americana Jamila
Salimpour, criadora do Estilo Tribal Folclórico
Interpretativo, modalidade de dança que mescla dança do
ventre e danças folclóricas e traz para suas performances
a interpretação de mitos e lendas orientais. Essas duas
danças (punhal e cimitarra) não são consideradas
folclóricas pelos povos do Oriente.
RAKS EL SHEMADAN – DANÇA DO CANDELABRO
Raks
Al Shemadan é o nome egípcio para o que conhecemos como a
Dança do Candelabro. Muito comum em festas de casamento ou
aniversário, até hoje serve para celebrar a vida e a união
entre as pessoas. Durante as comemorações de um casamento,
por exemplo, a dançarina e suas velas simbolizam a luz que
irá abrir e iluminar o caminho do novo casal. Muito comum
no Egito, essa dança pode ter alguma relação com as
tradições judaicas, que também tem o castiçal em sua
simbologia. A proximidade dos países do Oriente Médio pode
facilitar que traços culturais de povos diferentes se
misturem,
criando manifestações folclóricas cujas origens se tornem
esquecidas no tempo, ou tenham explicações baseadas em
"versões".
DANÇA COM INSTRUMENTOS
Acreditava-se, na Antigüidade, que a música servia como um
purificador do ambiente, retirando os maus fluidos e
devolvendo energia positiva ao lugar. Por isso, em rituais
de celebração aos deuses, era comum que houvesse cânticos
ou música instrumental. Atualmente, a música ainda serve
para este propósito, já que anima qualquer ambiente, sendo
indispensável em uma festa ou comemoração, mas já não nos
prendemos aos porquês místicos e desfrutamos do prazer que
a música pode nos trazer.
DANÇA
COM SNUJS
Snuj é um
instrumento rítmico que serve, quando tocado pela
bailarina, para acompanhar o ritmo da música e as batidas
de sua dança. Os snujs, ou címbalos, são 4 platilhos de
metal presos nos polegares e dedos médios de ambas as
mãos, que devem ser tocados leve e rapidamente, fazendo
com que o som seja próximo ao de sinos de igreja. Pode ser
tocado livremente, seguindo a música dançada, ou dentro da
notação específica do ritmo em questão. Os ritmos mais
conhecidos são: Ayyoub, Malfouf, Baladi, Saaidi, Maqsoum,
Soudi, Masmoudi Kabir, Chaftatalli, entre outros.
As
bailarinas com maior experiência costumam florear mais, ou
mesmo tocar durante toda a sua dança. Mas isso não é
regra: os snujs podem ser tocados só em alguns momentos,
acompanhando uma pequena seqüência, a estrofe da música ou
algumas batidas do derbake. Uma outra possibilidade é da
bailarina dançar ao som dos snujs, sendo que estes estarão
sendo tocados por um músico.
Pode
parecer difícil, mas com treino e seguindo algumas
pequenas regras, como suspender o toque em momentos de
taksim, tocá-los sempre alternados, observar as mudanças
de ritmo dentro da música (e acompanhá-la dentro do
compasso) e finalizar no momento correto, a bailarina só
trará mais brilho à sua performance.
DANÇA COM DAFF
O daff é
um pandeiro árabe, que tem o som um pouco diferente do
nosso pandeiro. Por ser pequeno e fácil de lidar, pode ser
usado pela bailarina, assim como os snujs, para acompanhar
a música. Os ritmos mais rápidos são perfeitos para serem
acompanhadas pelas batidas do pandeiro no corpo da
bailarina. As danças com instrumentos são sempre muito
alegres e festivas.
SOLO DE
DERBAKE
Derbake é
um instrumento de percussão, similar à tabla. Enquanto o
músico executa o solo desse instrumento, a bailarina
acompanha as batidas da percussão com o corpo. O elemento
coreográfico típico das danças para o Solo de Derbake é o
shimie, acompanhado de movimentos de batida (solares e
lunares).
DANÇAS FOLCLÓRICAS
A
Dança do Ventre caiu no gosto do mundo inteiro, e por isso
acabamos descobrindo no folclore dos povos do Oriente
várias outras danças, como o Khaleege, o Tahtib e sua
versão feminina (Raks Al Assaya) ou a Raks Al Shemadan,
que já incorporamos ao nosso "acervo". No entanto, algumas
modalidades raramente podem ser aprendidas (ou mesmo
vistas) por nós, ocidentais, geralmente, por terem um
caráter religioso ou carregarem traços culturais muito
fortes.
DANÇA DAS VELAS
Também
conhecida como Dança das Tacinhas, deriva da Raks Al
Shemadan. A bailarina dança com tacinhas (ou pequenos
castiçais) com velas, nas mãos. Durante a dança, as
taças são equilibradas em partes do corpo da bailarina,
como coxas, barriga, etc. Tem a mesma simbologia que a
dança com o castiçal, sendo comumente vista em casamentos,
batizados e aniversários, servindo para iluminar os
caminhos dos homenageados. Esta versão não é considerada
folclórica pelos povos do Oriente.
DANÇA DA SERPENTE
Antigamente as sacerdotisas dançavam com uma serpente de
metal (muitas vezes de ouro), por ser este um animal
considerado sagrado e símbolo da sabedoria.
Atualmente vê-se algumas bailarinas dançando com cobra de
verdade, mas isto deve ser visto apenas como um show de
variedades, já que nem nos primórdios da dança o animal
era utilizado.
Justamente por ser considerada sagrada, a serpente era
apenas representada por adornos utilizados pelas
bailarinas e pelo movimento de seu corpo.
RAKS AL BALAAS – DANÇA DO JARRO
Conhecida também como Dança do Nilo,
acredita-se que sua origem tenha relação com as cerimônias
realizadas à beira do rio, pedindo que ele inundasse suas
margens para fertilizar as terras, beneficiando nas
plantações e colheitas. Em outra versão, essa dança seria
a representação da vida dos povos do deserto, onde a
bailarina faz o trajeto de uma nômade que sai de sua tenda
em direção ao oásis com o intuito de buscar água. No
caminho, ela executa movimentos com o jarro como: parar
para descansar, refrescar-se, pegar a água e, finalmente,
voltar à tenda. Para dançá-la, a bailarina deve usar
roupas que cubram todo o corpo, imitando o traje das
beduínas, inclusive fazendo uso dos chadores (véus que
cobrem o rosto). É necessário habilidade, equilíbrio e boa
expressão facial.
O
uso do jarro também pode ser visto na Fallahi, dança
egípcia camponesa.
TAHTIB
OU SAAIDI
Dança
beduína do Sul do Egito, originária dos nômades do
deserto. Inicialmente, era dançada apenas por homens. O
nome correto seria Tahtib, mas é comumente chamada de
Saaidi, pois se utiliza este ritmo em sua execução. É
dançada com um cajado nas mãos, conhecido como shoumas, e
este serve para fazer "acrobacias", que é o ponto forte da
dança, representando uma espécie de luta, onde os homens
atacam ou defendem-se de golpes imaginários. Por tradição,
em algumas aldeias, os bastões eram talhados com a
história de suas tribos, servindo a dança também para
honrar as conquistas de sua família. Aos poucos, as
mulheres foram fazendo parte das danças, podendo executar
o Tahtib e, algum tempo depois, criando a Raks Al Assaya,
versão exclusivamente feminina desta dança.
RAKS EL ASSAYA – DANÇA DO BASTÃO OU
DA BENGALA
Também
conhecida como Dança do Bastão ou da Bengala. Seria uma
versão feminina para a dança Tahtib. Os movimentos aqui
são graciosos, delicados, onde as mulheres apenas manejam
o bastão demonstrando suas habilidades com o objeto,
usando-o também como uma "moldura" para mostrar o corpo
durante a execução de seus movimentos.
RAKS
AL NACHAAT - KHALEEGE
Dança folclórica originária do Golfo Pérsico, área da
Península Arábica que engloba países como Arábia Saudita,
Kuwait, Oman, entre outros. O nome da dança vem exatamente
de suas origens: khaleege, em árabe, significa golfo.
Também é conhecida como Raks El Nacha’at. Essa
dança, praticada somente por mulheres, é comumente vista
em festas familiares desde a Antigüidade até os dias de
hoje. Para dançá-la, a bailarina usa longos vestidos,
cobrindo praticamente todo o corpo. A execução da dança
traz uma simples marcação para os pés, sendo o ponto forte
da apresentação o trabalho de mãos, braços, cabeça (e
cabelos - em geral, longos), com movimentos circulares,
formando a figura de um oito, etc. A música para o
khaleege também é diferenciada: o ritmo utilizado é o
saudi.
DABKE
Desde os tempos dos fenícios (cerca de 4.000 a.C.), a
cobertura de telhados planos nas casas do Oriente Médio
era feita de ramos cobertos com lama. Na mudança de
estação entre o outono e o inverno, a dilatação
proporcionava rachaduras nessa cobertura, fazendo com que
as chuvas de inverno trouxessem vazamentos. Por isso, os
proprietários das casas pediam ajuda aos vizinhos para
recompor a mistura. Todos subiam ao telhado para
recompactar a lama, fazendo com que penetrasse em todas as
frestas, a fim de evitar os vazamentos.
Com o acompanhamento de um DERBAKE e uma flauta MIJWIZ, os
homens se distraiam no ritual das batidas e assim podiam
compactar os telhados de suas aldeias e das aldeias
vizinhas, mesmo sob o frio e a chuva. Mais tarde, um rolo
de pedra substituiu os homens que, no entanto, já
acostumados, continuavam a bater os pés nas ruas da
aldeia.
O
dabke não requer o movimento dos braços, marca-se o ritmo
com as batidas dos pés e é realizada em grupo. Apesar de
ser originalmente masculina, hoje em dia pode ser vista
sendo dançada por toda a família. Nas festas árabes, essa
dança acaba por contagiar a todos. Mesmo quem não faz
parte da Colônia, ou não conhece a dança, entra no clima
pela alegria e facilidade da execução dos passos.
MELEAH LAF
Meleah Laf significa lenço
enrolado. Esta dança foi vista unicamente no Egito, mais
especificamente no subúrbio do Cairo. Nos anos 20,
surgiu uma moda no Cairo, onde as mulheres da sociedade
começaram a usar o Meleah, grande lenço preto, enrolado ao
corpo. A moda passou, mas as garotas do subúrbio até hoje
continuam a usar seus lenços. No entanto, agora elas o
usam na dança.
A amarração padrão do Meleah passa o
véu por baixo dos seios, prendendo uma das pontas embaixo
do braço. Do outro lado, o véu passa por cima da cabeça e
é seguro pela mão. Durante a dança, a bailarina “puxa” o
Meleah para que este fique justo ao corpo e ressalte suas
formas femininas, principalmente o quadril. No decorrer da
música, a bailarina solta o lenço e dança até o fim com
ele nas mãos. É comum vê-las dançando com um chador (quase
sempre de de crochê) cobrindo o rosto, que também pode ser
tirado no decorrer da apresentação. Outra observação
interessante: a dançarina masca chiclete durante a dança
(tradicionalmente, as egípcias costumam mascar goma de
miske).
O jeito
de andar, o lenço e o chador cobrindo o que mais tarde
será descoberto, o ato de mascar chiclete , a música
(sempre muito alegre e festiva) são fatores importantes
que caracterizam o jeito das garotas Baladi do Egito. É
uma dança cheia de estereótipos, onde é necessário charme
e uma pitada de ousadia de quem a interpreta.
DANÇA GHAWAZEE
Ghawazee,
para os egípcios, significa ciganas. Assim eram chamadas
as dançarinas de Dança do Ventre, no Egito Antigo, que se
apresentavam nas ruas, também recebendo o nome de As
Dançarinas do Povo. As ghawazee realizam esta dança de uma
maneira toda especial, com trajes bem folclóricos, pintura
tribal nos rostos, turbantes e lenços amarrados à cabeça,
e músicas tradicionais, com poucos e típicos instrumentos.
Hoje em
dia, poucas ciganas tentam ganhar a vida dançando ou dando
aulas no Egito, competindo desigualmente com as bailarinas
da Dança do Ventre hollywoodiana, apresentada nos maiores
hotéis e casas noturnas do Cairo.
No
entanto, surge nos Estados Unidos um movimento muito
forte, tentando buscar as raízes da dança dessas ghawazee.
Grupos como The Ghawazee Troupe, The Fat Chance Belly
Dance e The Pink Gipsy Groupe, estão buscando nessa forma
de dançar uma nova visão da Dança do Ventre. Associando a
Dança Ghawazee à outras danças orientais, formam o que
chamam de Tribal Fusion Style.
DANÇA COM FLORES
Realizada na época da primavera, quando as camponesas
egípcias iam trabalhar na colheita das flores. Para
amenizar o trabalho, elas cantavam e dançavam. Mais
adiante, tornou-se uma dança comum nas festas populares.
Enquanto dança, a bailarina entrega as flores de seu cesto
aos espectadores. As Ghawazee também realizam a mesma
dança, também conhecida como Dança do Cesto. Neste caso, a
dançarina acrescenta algumas características próprias,
como equilibrar o cesto de flores na cabeça, mexer suas
saias (rodadas) enquanto dançam, prender uma flor entre os
dentes, por exemplo.
GUEDRA
Dança ritual típica dos nômades do Deserto do Saara,
aparecendo também na Mauritânia, Marrocos e Egito. Também
é conhecida como a Dança da Benção dos Touaregs. É uma
dança de transe, de origem religiosa, que tem por
finalidade trazer satisfação e alegria plena àqueles que a
praticam e/ou a assistem. Sua base é simples, onde a
bailarina executa movimentos com as mãos, para as quatro
direções (Norte, Sul, Leste e Oeste), para quatro
elementos (céu - acima, terra - abaixo, ar - para trás e
ággua - para baixo) ou simbolizando o tempo (passado -
para trás, presente - para o lado e futuro - para frente).
Outro movimento básico seria a benção oriental, onde
toca-se o estômago, o coração e a cabeça, emanando a
energia da dança ao público. Para recuperar a energia
dispensada, a dançarina toca-se na direção do ombro,
trazendo a vibração da platéia para si.
Inicia-se com o rosto coberto por um véu, que pode ser
abandonado no decorrer da dança. Em certo momento, a
dançarina começa um balanço de cabeça, para frente e para
trás, geralmente brusco, fazendo voar suas tranças. Com
grande freqüência, encerra-se a dança no chão. A roupa
típica para dançar a Guedra é o Caftan, acompanhado do
Haik, espécie de manto preso à frente do corpo por
alfinetes e correntes. Acompanha adornos de cabeça e
tranças (reais ou postiças). A musica usada são cânticos
muçulmanos, que podem durar até horas.
HAGALLA
Originária da Líbia, no Egito essa dança foi encontrada
com maior freqüência em Mersa Matruh. Quando realizada com
autenticidade, a performance é executada por uma mulher
totalmente coberta, ao som de cânticos masculinos ,
chamados keffafeen, acompanhados por palmas.
Tradicionalmente, a dançarina de Haggala deve
apresentar-se para quatro homens e, dentre eles, escolher
apenas um para o qual terminará sua dança. Ela amarra um
lenço nos quadris e, quando escolher seu pretendente,
deverá laçá-lo com este. Numa versão mais moderna,
grupos de mulheres dançam umas para as outras.
Fonte:
http://www.shaide.tk
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